Celebremos o dia mundial do principal objetivo da bovinicultura contribuindo de alguma maneira para a alimentação do mundo. Sugestão: World Food Programme
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Raças bovinas autóctones II - Raça Alentejana
O Solar destes animais de grande corpulência é abaixo do Tejo, e o sistema de exploração mais comum é o extensivo, onde os animais são criados com pastagens naturais e, hoje em dia, com cada vez mais pastagens semeadas e alguma suplementação, de forma a aproveitar todos os aspectos produtivos desta raça, em termos de crescimento e desenvolvimento dos seus vitelos.
A raça Alentejana é uma raça de grande corpulência, com vacas a pesar entre 600-700 Kg e machos a pesar entre 900-1100Kg, tendo sido a primeira raça em Portugal sujeita a melhoramento genético. Esta raça é, dentro das raças autóctones, aquela que apresenta maior porte.
Figura 1. Macho e fêmea de raça Alentejana.
É uma raça em que os vitelos nascem com 32/35 Kg, o que facilita os partos, com instinto maternal muito bom.
São animais, (comparando com as raças exóticas muito precoces da Europa), muito rústicos, muito resistentes às grandes trocas de temperatura e aos extremos das mesmas (temperaturas negativas a temperaturas elevadas, na casa dos 40 graus), apresentam ganhos médios diários muito interessantes para o tipo de exploração destes animais em extensivo, na ordem de 1.400 Kg/dia. Morfologicamente é uma raça onde se salienta uma enorme barbela, barbela esta que os ajuda a manter a temperatura corporal.
Ultimamente tem sido exportado para o Brasil doses de sémen de reprodutores desta raça, com a finalidade de tirar partido do Vigor Hibrido, cruzando a raça Alentejana com a raça Nelore. Pode ser uma experiência muito interessante e muito valiosa para a raça, pois a partir daqui pode estudar-se o bom desenvolvimento dos vitelos F1 numa zona do Mundo com excelentes pastagens, em abundância. Aqui fica uma reportagem dos nossos vizinhos do Brasil, relativamente a este cruzamento:
Para uma informação mais técnica e com mais "numeros" relativamente ao crescimento dos seus produtos, visite o sitio de criadores da raça Alentejana, Aqui
MP
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Desmame dos Vitelos
Em Portugal, o sistema de exploração mais comum é o extensivo, onde os vitelos acompanham as progenitoras até aos 6 meses, altura onde são separados das mães.
Com o que pode variar o momento ideal para o desmame?
- Condição Corporal da vaca (mãe);
- Perda da mãe;
- Recursos forrageiros disponíveis;
- Momento da venda.
Os vitelos podem ser desmamados em qualquer altura, desde que o seu sistema digestivo esteja apto a digerir alimentos.
O produtor decide quando desmamar o vitelo, de acordo com o que seja mais favorável á valorização do mesmo. O produtor pode querer desmamar em alturas que o preço dos vitelos seja superior.
Desmame Precoce
O desmame é feito aos 100 dias (3 meses).
Vantagens:
- Redução do intervalo Parto-Concepção;
- Novilhas de substituição desmamadas mais cedo atingem melhores condições corporais e assim podem atingir a puberdade mais cedo;
- As mães comem menos alimento neste modo de desmame;
- É possível alimentar as vacas (mães) com alimentos de pior qualidade, visto que estas não apresentam grandes necessidades em energia e proteína.
Desvantagens:
- Maiores gastos na alimentação dos vitelos e na gestão do desmame.
Desmame Normal
- Permite diminuir os custos com a alimentação dos vitelos;
- Diminui a Condição Corporal das vacas (gastos económicos em alimento);
- Aumenta o anestro pós-parto (período entre o parto e o primeiro Estro).
Desmame Tardio
- Ocorre depois dos 7 meses.
- Tem de haver disponível em quantidade e qualidade, forragem, o que vai originar vitelos com maiores pesos ao desmame, as vacas podem diminuir a sua Condição Corporal e a sua eficiência reprodutiva.
Afinal o que é isto da Eficiência Reprodutiva da Vaca?
Um desmame precoce pode melhorar esta eficiência. As vacas que estão a amamentar mostram anestros pós-parto maiores, devido á diminuição de sinais neuroendócrinos para a acção das gónadas.
Durante o aleitamento, a FSH e LH não são libertadas, poderá ser devido a um impedimento de GNRH (pois a vaca apenas está preocupada em alimentar e defender a sua cria).
Também a deficiente Condição Corporal das reprodutoras poderá afectar a Eficiência reprodutiva, devido a maiores necessidades nutricionais das vacas, pela amamentação.
Então, qual o melhor tipo de desmame?
O melhor tipo de desmame tem de se adaptar à exploração em questão, avaliando se um dos 3 modos de desmame compensam.
Estudos comprovam que o desmame precoce revela um lucro maior, mesmo com os gastos de engorda, custos de novilhas de substituição e a Condição Corporal dos Animais, pois neste caso, não é preciso gastar muito mais com as mães, o que pode ser equilibrado relativamente ao que se vai gastar em engorda com os vitelos desmamados precocemente.
Segue-se um pequeno Vídeo para que se retire algumas breves ideias dos benefícios do desmame precoce, para as reprodutoras.
Raças Bovinas Autóctones - A raça Mertolenga
No panorama extensivo da bovinicultura Portuguesa, relativamente a vacas aleitantes, encontramos a nossa raça Mertolenga como das mais numerosas fora do seu solar de origem e distribuída um pouco por cada canto do País. É assim escolhida a primeira das 15 raças que vamos falar.
A Raça Mertolenga segundo os mais antigos:
"Grandes para cabras e pequenas para vacas"
Tal designação pode mostrar um resumo do que podemos encontrar nesta raça, bovinos de tamanho pequeno/médio, com reprodutoras com pesos na casa dos 300 Kg, muito rusticas, muito férteis, uma excelente qualidade organoléptica da sua carne, no entanto muito nervosas e com baixos níveis de ganho diário de peso.
- Na raça Mertolenga podemos encontrar três tipos de pelagens: A vermelha, a Malhada (de branco ou de vermelho) e o rosilho (mil-flores).
- O sistema de exploração desta raça é em extensivo, onde os animais se alimentam dos recursos naturais e algumas pastagens semeadas, podendo-se fornecer alimento nas épocas mais severas (Verão).
- Os vitelos em linha pura são dotados de fraca conformação e de um crescimento lento, no entanto são desmamados por volta dos 6-8 meses e são "ajudados" com alimentos concentrados nos seus últimos 2-3 meses. (A altura do desmame é muito importante, pois um desmame tardio é apontado como uma das causas para um longo anestro pós-parto (período que se estende desde o parto até ao aparecimento do primeiro Estro (quando a vaca fica recetiva))).
- Segundo a Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos, o peso médio ao desmame é de 163 Kg; o Intervalo entre Partos é de 449 dias; o Ganho Médio Diário (GMD) é de 935 gramas/dia e a longevidade produtiva é de 104,8 meses.
- Nesta raça a linha materna é muito utilizada em várias explorações, onde os criadores juntam às suas manadas reprodutores de raças estrangeiras, como por exemplo, raça Limousine ou raça Charolesa, para beneficiar as suas reprodutoras e tirar partido do vigor Híbrido. Ter reprodutoras Mertolengas tem como objectivo um baixo custo de manutenção das reprodutoras (nível alimentar e problemas de membros), uma longevidade reprodutiva, a certeza de uma boa adaptação a quaisquer tipo de relevos e de ambientes e um vitelo por ano, onde o pai pode ser de uma tal raça exótica com grandes índices de ganho médio diário que vai transmitir aos filhos.
É uma raça muito interessante, com características únicas e que ainda tem muito para nos mostrar, em sistemas de exploração mais sofisticados!
Figura 1: Reprodutora do ano de 1998-2015 (Idosa) com um bezerro cruzado de Limousine, prova da longevidade reprodutiva desta raça.

Figura 2: Grande rusticidade da raça Mertolenga, em terrenos muito declivoso, de difícil acesso, alimentando-se de forragens naturais.
Figura 3: Um bom controlo alimentar, desde o nascimento até á vida reprodutiva activa destes animais podem mostrar muitas qualidades que a raça nos pode dar.
Com uma rigorosa selecção da raça e, dentro da raça, e com a exclusão de estatísticas de bezerros cruzados, tenho a certeza que esta raça Mertolenga será um dia, uma raça de topo a nível Mundial. Foquemo-nos já não tanto para os excelentes parâmetros reprodutivos mas sim para os parâmetros produtivos, fazendo com que as excelentes "Mães" nos possam dar excelentes "Filhos", filhos estes que se desenvolvam mais depressa, em sistemas bem mais desenvolvidos.
Para mais informação siga o sitio da Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos, Aqui.
Mário Pereira
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Raças bovinas Autóctones, o que chega a ser isto?!
Perante um panorama cada vez mais exigente em termos de qualidade dos produtos alimentares, nomeadamente a peças de talho e devido a uma maior exigência relativamente a uma alimentação saudável, as nossas raças nacionais são um ponto chave em tantos mas tantos aspectos!
Vamos fazer um pequeno foco a este património genético tão rico e tão importante.
As raças autóctones nascem através da selecção do Homem, selecção esta feita através da finalidade a que as raças são sujeitas (leite, trabalho, produção de carne). Muitas das raças existentes a nível nacional nasceram quando ainda se estava bem longe de uma mecanização agrícola tão avançada como a que encontramos nos tempos de hoje. Aqui muitas raças bovinas existentes no nosso país eram utilizadas em trabalhos de tracção muito exigentes.
Com a evolução da mecanização e dos tempos, muitas destas raças deixaram de ter um papel tão especifico em termos de trabalho e a sua função ficou focada para a produção de carne. Actualmente encontramos 15 raças bovinas autóctones.
Este extraordinário património genético de tanta qualidade e extremame
nte Português está muito adaptado às nossas condições edafoclimáticas, isto é, muito adaptado ao relevo que pode passar das longas planícies aos montes e montanhas de Portugal, tal como os grandes extremos de temperatura no nosso clima mediterrânico, seguindo assim grandes diferenças a nível nutricional, pela ausência ou permanência de pastagens naturais de acordo com a estação do ano.
Estas nossas raças são, por norma, muito pouco exigentes a nível nutricional, o que faz das reprodutoras utilizadas em linha mãe animais muito económicos, muito férteis e muito rústicos.
Vamos tentar explorar este tema e falar um pouco de cada raça e do seu solar de origem, mais à frente.
Mário Pereira
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